
FENDI, visita à fábrica de sonhos.
Acordar às 6h da manhã para enfrentar uma viagem de trem de cerca 5 horas... A primeira coisa em que penso, antes mesmo de pular da cama:" vale à pena?". Estou convencida que sim. Por amor à moda. Pela curiosidade inata. Pela ocasião única de visitar a fábrica de sapatos da FENDI em Porto San Giorgio, Itália. E pela satisfação de condividir com vocês esta experiência.
A primeira impressão é de surpresa. Assim que o taxi dobra a esquina da rua, avisto um edifício de modesta dimensão, na cor amarela vibrante (claro, a cor de FENDI!). "Uma maison como a FENDI, das mais importantes no mundo, nem parace assim tão grande, a julgar pela estrutura!".
Fica difícil acreditar que tudo nasce alí. Mas nasce, sim. A sede novissima (uma entre várias, espalhadas por Lazio e pela Toscana) foi inaugurada ha apenas dois anos na regiao delle Marche (tradicional pela refinada e qualificada producao artesanal de sapatos) e é o quartel general/ fábrica onde tudo inicia: os primeiros desenhos, o modelo matriz de cada sapato a ser produzido, os "pedaços" de couro que, a medida que vao sendo costurados, dao forma e vida aos sapatos mais fantasticos, otimos exemplos da criatividade e maestria artesanais italianas. São cerca 60 funcionários. A maioria, mulheres e de faixa etária em torno aos 30 anos.
Chegar à recepcão e ser recebida por uma equipe é bem interessante. Não digo que fui revistada, mas cheguei perto...Tive tudo confiscam tudo: telefone, bolsa, casaco. "Managgia! Esta nova geracão de híbridos telefone-máquina fotográfica!". Por mais que eu tente convencer que estou apenas enviando um torpedo, nao escapo de ouvir, pela oitava vez, "no photo, no photo!". Um imagem roubada ou informação vazada signficaria pôr em risco uma inteira coleção. Claro, entendemos isso. A moda não é somente sonho mas, sobretudo, negócios. Nao vim em missão de espionagem industrial. Nem como blogger. E como estamos na Italia (e jornalista, aqui, infelizmente nao é profissão regulamentada) só resta guardar minhas credenciais (nao vai rolar regalia mesmo) e me comportar como visitante. E, quando alguém nos convida a visitar sua casa, é sempre de bom-tom respeitar as regras.
Minha ciccerone foi de cara dizendo "você é fashion blogger, não é?" Confesso que isso me incomodou um pouco, pois não entendi se era um elogio (eu acho que ela gostou muito do meu vestid.... e o fotógrafi ificial, também, a julgar pelos cliques...e ainda era um modelo parisiense da Inés de la Fressange!) ou se tinha um certo receio no seu tom de voz. "Também sou blogger, além de outras coisas", respondi. "Você me permite ficar com minha (agenda) moleskini?". "Posso até não tcobseguir material pro instagram, mas vai rolar muito twitter e notinha do blog!", pensei.
A porta ao lado da recepçã o foi se abrindo e, de repende, o mundo FENDI se escancara aos meus olhos. Cheirinho bom de couro no ar; a pele de um serpente inteiro sendo trabalhada no computador; caixas, caixas e mais caixas de sapatos, saltos, sandalias, botas... "Não, não estou numa fabrica de sapatos. Estou numa fabrica de sonhos!" Mãos hábeis e velozes costuravam, cortavam, martelavam. Tudo em grande harmonia. Tudo muito organizado, limpo e perfeito! A visita foi bem rápida, tão rapida, mas com tantas informacoes que, antes mesmo que pudesse terminar minhas anotações, minha ciccerone ja tinha passado da história de FENDI pra sua história pessoal. Muito orgulhosa do seu trabalho, explicava sua trajetória... E se despedia com um certo receio que eu tirasse da bolsa meu curriculim vitae.
Arrivederci e grazie! Outro trem pra pegar em direcao ao norte. Aliás, mais três. Preciso me preparar pra PUCCI, na Toscana e Bulgari em Roma. E preciso pensar num look ainda mais "fashion blogger". Da próxima vez, deixo a maquina fotografica em casa. E, quem sabe, levo o CV. Será que em Pucci, pelo menos, vao me deixar acariciar os tecidos? - a Zé Araujo deixava! :)
Bee